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Corrupção Não É O Maior Problema Do Brasil

Corrupção Não É O Maior Problema Do Brasil

Se você estudou um pouco da historia da humanidade deveria saber que a corrupção não é um “privilegio” dos brasileiros e nem foi inventada por nós. A historia, desde os seus primórdios e em todos os registros, relata que a corrupção é inerente ao ser humano. A historia da civilização romana é recheada de casos de corrupção e sonegação.

Na Roma antiga, era comum que os governadores de províncias pagassem aos inspetores do império propinas para burlarem os números e pagarem menos impostos. Entre os militares, exigiasse pagamentos com suprimentos alimentares de lavradores para garantir a sua segurança. Soldados pagavam uma certa quantia pelo silêncio de seus superiores quando davam uma “escapulida” a procura de sexo e acabavam por cometer pequenos furtos para garantir o pagamento da quantia quando retornassem ao batalhão. A igreja também é palco de historias de corrupção, sendo a mais conhecida a de pagamentos de indulgencias para perdoar os pecados e como entrada para o reino de Deus.

Entre os imperadores romanos e os vários escândalos, é conhecido o caso do imperador Cicero,  exímio orador, e por ter se tornado milionário em apenas uma ano como governador de província. Cicero dizia  que, ao ocupar um alto cargo nas províncias, era preciso roubar no primeiro ano para pagar os gastos obtidos para se conseguir tal posição. No segundo ano, roubava-se para enriquecer e no terceiro ano, era preciso lapidar o patrimônio publico e ter dinheiro para subornar os tribunais.

O que há de comum em todos os episódios de corrupção, passiva ou ativa, mundo a fora é o fato de que ela está em todos os setores publico e privado, cometida por cidadãos comuns, empresários e políticos. Portanto, não tenhamos a ilusão de que um dia acabaremos com a corrupção “per si” neste país. A corrupção é apenas mais um dos meios para se enriquecer ilicitamente e chegar ao poder, seja em que esfera for.

Países que conseguiram minimizar ou até quase disseminar a corrupção como Japão, Dinamarca, Noruega e Finlândia não inventaram nem criaram uma nova especie humana. Estes países entenderam que a questão da corrupção é sistêmica e, consequentemente, para combate-la a que se ter controle sobre o sistema fortalecendo as instituições. Podemos tirar Lulas, Dilmas e Temers do governo e continuaremos a ver este país ser saqueado e totalmente dilapidado. Serão milhões e bilhões desviados via sonegação, subornos, propinas, lavagens e toda forma de extorsão e roubo. Homens nascem e morrem, não são eternas, mas as instituições se perpetuam.

Não haverá formula mágica para combater a corrupção se não for através de praticas austeras de combate à impunidade. Não haverá combate à corrupção se não forem feitas com urgência as reformas politica, tributaria, trabalhista tão necessárias neste país. O que vemos é que nem o Senado nem o Congresso Nacional tem a coragem de votar as reformas porque comprometem suas mordomias, seus foros privilegiados, seus cabides de emprego, seus benefícios. O excesso de cargos, de ministérios, de secretarias, de burocracia e de intervenção do governo em segmentos que não deveriam ser de sua alçada e nem de sua competência, é o que está quebrando este país.

Por que não se elimina a burocracia? Porque ela permite o suborno e a corrupção. Para conseguir uma licença e que o tramite não emperre por meses ou anos, empresários pagam “por fora”. Assim como pagam “por fora” para serem favorecidos em licitações que deveriam ser auditadas e seriamente acompanhadas por órgãos competentes e imparciais.

O tamanho da participação do governo no setor econômico é um outro fator pernicioso e facilitador de praticas de péssima gestão. O Brasil precisa colocar cada macaco no seu galho. Governo não tem que administrar empresas. Governo tem que administrar o bom uso dos recursos públicos que são arrecadados em forma de impostos daqueles que são efetivamente os formadores de riquezas: empresários e trabalhadores. Governo tem que garantir serviços básicos de saneamento, saude, energia, educação para sua população. Políticos têm que entender que são funcionários do povo que os elegeram e devem a ele satisfação de cada uma de suas ações.

Às policias civil, militar e federal cabem garantir que a lei seja cumprida para todos. Ao exército cabe a segurança da nação. Aos tribunais de justiça cabe que os processos, sejam eles quais forem, sejam julgados com total isenção de interesses próprios. Não podemos continuar aceitando que ministros sejam indicados por políticos. Juizes, delegados, promotores devem ocupar cargos por competência e devem provar que as têm.

Fui presidente de associação de empresários em Minas Gerais e ja tive a oportunidade de ouvir discursos de políticos como Aecio Neves durante campanhas criticando o governo por não fazer as reformas necessárias, mas que foi incapaz de faze-las enquanto governador e senador da república. Parece que quando sentam a bunda nas cadeiras do poder, sofrem de amnésia e esquecem tudo o que criticavam quando se mexe com os seus privilégios.

Estamos cansados da midia manipuladora, tendenciosa e dos políticos oportunistas que fazem com que os grandes viloes deste país sejam os beneficiados pelo Bolsa Família. O programa paga R$39,00 por membro da fatia, podendo chegar ao máximo de R$195,00 por família por mes e beneficia aqueles que são os menos favorecidos, que foram privados de educação, que moram nos rincões sem acesso à agua potável, à energia elétrica e à dignidade. Já o “Bolsa Familia” que os políticos recebem inclui auxílio moradia, verba de gabinete para 25 funcionários, auxilio combustível, auxilio alimentação, auxilio saude, auxilia paletó e o escambau para políticos. Entre salário e benefícios cada deputado federal custa aos cofres públicos 179 mil reais por mês o que soma mais de 1 bilhão de reais por ano. Isso sem falar do custo com deputados estaduais, vereadores, prefeitos, governadores e senadores.

Estamos cansados desta mesma midia e de Temers que querem fazer o povo acreditar que, em menos de uma semana de paralização, os caminhoneiros são os grandes culpados pelo caos na saúde, no abastecimento e na estagnação da economia. Não somos idiotas e não aguentamos mais assistir, como miseráveis pedintes que sofrem todo tipo de violência, a roubalheira generalizada e a lentidão da justiça.

Como professora de uma das maiores escolas de negócios deste país, mae de dois jovens de 23 e 22 anos, que cresceram sem saber o que é ditadura, alta inflação e recessão, sinto-me extremamente comovida, ferida e inconsolada. Vejo nos meus alunos de pos-graduação ou dos curso de extensão, que investem na sua qualificação profissional para se tornarem melhores administradores ou lideres, a falta de brilho nos olhos. Vejo nos meus filhos a falta de perspectiva e de fé num país mais digno e mais seguro para seus filhos viverem.

O africano de Ghana, Patrick Awuah, co-fundador da Ashesi University voltou ao seu país depois de trabalhar por mais de 10 anos na Microsoft no Valle do Silicio nos EUA. O faturamento da Microsoft era maior que o PIB de Ghana e Awuah decidiu que deveria colaborar na formação da próxima geração de lideres em seu país. Em sua palestra ao Ted Talk, Awuah, diz ser fundamental que o país forme novos lideres, que desenvolvam um perfil de verdadeiros estadistas, que trabalhem pelo bem comum, pelo crescimento da nação e não para enriquecerem o próprio bolso.

O que acontece é que somos incapazes de formar lideres éticos e capazes de solucionar problemas. Somos incapazes de formar lideres que entendam que seu papel principal é servir à sua população. E isso se faz com educação. Isso também se faz com instituições fortes que combatam a impunidade a qualquer preço, que minimize a burocracia e restabeleça a ordem. Acredito que nunca presenciei uma manifestação tão pacifica e que impactasse tanto a vida de todos nós, brasileiros. Quero aplaudir e me reverenciar a cada caminhoneiro que incansavelmente está enfrentando o frio, o desconforto e até a fome por todos nós. Vocês demonstraram o que muito poucos de nós sabíamos: que vocês são quem realmente movem este pais e fazem com que possamos seguir em frente, dar marcha ré ou literalmente parar.

Cristiane Ferreira

Professora Pos Adm e Cademp da FGV

Coach e Palestrante

Por Que Alguns Sobrevivem

Por Que Alguns Sobrevivem

Sempre que acontece uma tragédia, muitos perdem a vida, mas não é raro que nos surpreendamos com o fato de que alguns tenham sobrevivido. No grupo dos que sobrevivem, alguns se recuperam rapidamente e conseguem seguir a vida mesmo com as feridas, que vão sendo cuidadas, até que restem apenas cicatrizes. E estas são inevitáveis. Outros, passam a viver uma vida miserável cuja ferida jamais é fechada.

Acidentes e tragédias, vivemos todos nós, pelo menos uma vez na vida. Obviamente, que alguns em maior proporção e outros em menor. Alguns vivem um maremoto, outros um tsunami. Alguns passam por um terremoto de baixa intensidade, mas sofrem um infarto e morrem. Outros, passam por um terremoto de grande intensidade e saem quase que sem um único arranhão. Há os que são vitimas de um furacão e mesmo sendo avisados que ele chegaria, são devastados. E os prevenidos que fortalecem suas propriedades e sofrem mínimos danos. Aos sobreviventes, muitos atribuem milagre.

Na última sexta-feira, dia 04 de maio de 2018, (acho que jamais esquecerei esta data), vivi algo que num primeiro momento, dei o nome de tragédia. O banco para o qual prestava serviço há quase 4 anos como professora e também como Coach, foi interditado pelo Banco Central. Banco onde também minha filha trabalhava como estagiaria há exatos 10 meses e acreditava que seria contratada em breve tamanho sua dedicação, aprendizado e amor pelo que fazia. Uma empresa que na véspera, comemorava seu crescimento. Nos corredores, ouvíamos que estavam todos com sobrecarga de trabalho em função do acréscimo de contas a serem cadastradas e novos investidores aportando dinheiro. O cenário era de que haveria necessidade de aumento do quadro de colaboradores. Da noite para o dia, o banco não existia mais.

E o que isso tem a ver com as tragédias? Se esta não é uma tragédia com danos físicos ou mutiladores, é uma tragédia com danos emocionais de diversas proporções. Não houve perda de vidas nem perda de nenhum membro do corpo. Mas houve perda de perspectiva, de esperança, de confiança… houve mutilação ou mudanças de planos, de sonhos, de objetivos. E como em toda tragédia, quase todos são pegos desprevenidos. Digo quase todos porque o nível de informações e a visão do cenário pode ser diferente dependendo da posição em que cada um está e da percepção da possibilidade iminente de um desastre.

Imagine um ônibus de dois andares lotado. Há passageiros assentados nos bancos da frente, no meio e atrás, na parte de baixo, no mesmo nível do motorista, e os na parte de cima. É claro, que se um caminhão faz uma ultrapassagem proibida, o primeiro a perceber que uma tragédia se aproxima é o motorista e talvez alguns dos passageiros assentados mais à frente. Porém, os que estão atrás serão pegos totalmente desprevenidos. Nenhum deles chegará a seu destino no horário programado. Aliás, muitos não chegarão a seu destino. Outros, sobreviverão.

Neste episódio do banco, me lembrei do acidente das torres gêmeas do World Trade Center e dos depoimentos dos sobreviventes. Muitos chegaram para cumprirem a agenda de trabalho do dia e o prédio estava no chão. Naquela sexta-feira, não cheguei a ir ao Banco porque meu atendimento para um grupo de Coaching seria às 10h e havia sido postergado para a segunda devido ao acúmulo de tarefas de minhas Coachees. Mas praticamente todos os funcionários chegaram pontualmente ao edifício como em qualquer dia “normal” para trabalharem. Naquela mesma manhã, muitos foram imediatamente dispensados. Os novos “chefes” eram funcionários do Banco Central e os diretores não teriam mais nenhuma autoridade. Aquelas pessoas reagiam das mais diversas maneiras: uns desesperados, o choro incontrolável. Outros, petrificados, sem ação nem reação. Alguns, com uma lágrima fina no canto dos olhos sem entender e com uma terrível sensação de impotência.

Como acontece em várias tragédias, por algum motivo que não sabem bem explicar, algumas pessoas não foram trabalhar naquele dia. Minha filha, havia ganhado um bônus do Instituto Brasileiro de Coaching para participar de um treinamento de 3 dias em São Paulo que começaria na manhã, exatamente, do dia 04. Havia pedido um dia de folga e foi dispensada. Por algum motivo, foi tirada do local da tragédia e colocado num espaço com quase 1000 pessoas completamente conectadas numa energia de positividade. O nome do treinamento? “Desperte o seu Poder” com José Roberto Marques. Como uma das sobreviventes, ela teve o privilégio de viver a dor à distância e voltar para a empresa na segunda-feira fortalecida e pronta para viver uma nova fase.

Pessoalmente, reencontrei muitos destes sobreviventes também na segunda-feira. Os relatos sobre o fato são todos iguais. Todos descrevem a mesma cena com muita tristeza, mas a percepção e as emoções são distintas. Em meio aos fatos, há revolta, desespero, indignação, incredulidade, abandono e até gratidão. Entre os sobreviventes, há os que levarão semanas, meses ou talvez até anos para curarem as feridas. Há os que se entregarão e vão esperar que alguém os curem. E, há os que estancarão as feridas imediatamente, sentirão profundamente a dor até porque para limpá-las é preciso cutucá-las, mas as verão secar até que deixem apenas uma leve cicatriz.

Quem sobrevive? Como no caso de um furacão para os moradores da Flórida, por exemplo, hoje sobrevivem os que estão mais preparados. Os que fizeram as adequações aos imóveis e os fortaleceram para resistirem aos fortes ventos. Já no caso de tragédias não anunciadas, que nos pegam desprevenidos, os sobreviventes que conseguem viver a vida na sua plenitude, têm ou desenvolveram características muito comuns.

Os sobreviventes que não apenas sobrevivem, mas se permitem viver são, em primeiro lugar, resilientes. A resiliência é essa capacidade de levarmos um soco (como o boneco que tem saco de areia, João Bobo), de balançar, até de cair, mas de levantar rapidamente. A não vitimização é outra característica forte e comum aos sobreviventes. São pessoas que não se fazem de coitadinhas. São pessoas que percebem que têm muita autoridade e autorresponsabilidade pelos acontecimentos futuros. Isso não quer dizer que não aceitam ajuda. Ao contrário, muitas delas aceitam e pedem ajuda, não como vitimas e se colocando como as pessoas mais desafortunadas do planeta, mas com atitude de quem tem humildade para reconhecer que precisa de ajuda e que com alguém junto a cruz fica mais leve.

Ressignificar a realidade é outra capacidade que os sobreviventes têm maestria. Ressignificar quer dizer que estas pessoas têm a capacidade de dar um novo significado ao fato, entendê-lo como aprendizado ou como livramento. Ressignificar é tirar o foco dos pontos negativos e das perdas que qualquer tragédia causa, sendo capaz de se desapegar, mudar o foco e enxergar a intenção positiva que a tragédia lhes oferece. Ressignificar tem a ver com valores. Se a mansão ou o carro importado que você tinha parecia ser tudo, ressignificar lhe permiti dar valor ao que tem valor incalculável e ninguém pode comprar: a saúde, os amigos, a família e, até, o simples fato de respirar. Me lembro do livro “Pollyanna Menina”, que marcou minha infância, e do filme a “A vida é bela”. Em ambas as histórias, eles conseguiam fazer o jogo do contente e ver beleza onde ninguém mais veria.

E a gratidão. Ah, a gratidão! Como ela é capaz de ativar o sistema de recompensa do cérebro, responsável pela motivação, de liberar dopamina, um importante neurotransmissor que aumenta a sensação de prazer e ainda a oxitocina, conhecida como o hormônio do amor porque estimula o afeto, a empatia, traz tranquilidade e reduz a ansiedade. Os sobreviventes são pessoas que, ao perceberem uma tragédia, são gratos pelo simples fato de terem sobrevivido. São pessoas que percebem que tiveram o melhor, que tudo poderia ter sido pior, e se sentem muito abençoadas. Em geral, pessoas gratas são pessoas que também praticam gestos cotidianos de gentileza, seja um sorriso, um abraço, uma palavra de carinho, uma flor ou até mesmo o servir de forma voluntária

Não sei qual “tragédia” você está vivendo. Pode ser a morte de um ente muito querido, o fim de um relacionamento, a perda de um emprego, o diagnóstico de uma grave doença, um incêndio na sua residência… Também, não sei o tamanho da sua dor e não tenho a receita de uma droga milagrosa que possa lhe prescrever. Como coach e também como uma sobrevivente de algumas tragédias pessoais, posso lhe dizer que vale muito a pena e faz muito bem: não se vitimizar, mas SER O AUTOR DA SUA HISTÓRIA; SER RESILIENTE, RESSIGNIFICAR, SER HUMILDE E PEDIR AJUDA, SER GRATO, PRATICAR A GRATIDÃO E A GENTILEZA.

Xá Comigo

Xá Comigo

Xápralá! Péraí, depois ocê mexe com isso. Este é um jeito bem mineiro de dizer, deixa para lá. Mesmo ja uma mulher madura, beirando os 50 ainda ouvi este tipo de coisa quando decidi me separar, sair de casa e reinventar minha vida. Não são raros os momentos em que ouço as pessoas me dizendo que deveria procurar um emprego porque este negocio de empreender é muito dificil. E quem foi que disse que o que é bom é fácil?

Mineira, sim, mas meio rebelde também, nunca fui muito de deixar para la, mas quase sempre fui muito mais do Xá Comigo. Acredito que sou movida a desafios e era tida como atrevida. Com uma certa dose de impaciência, prefiro pegar para fazer do que esperar que alguém faça. Quando a vida vai ficando monótona e sugere que nada de novo ou surpreendente vai acontecer, invento algo que me faça mover, sair do lugar.

Amo ser professora e este é muito mais que um oficio, é uma paixão e uma missão de vida. Desde criança, minha brincadeira favorita era dar “aulinha” para minhas irmãs mais novas e meus vizinhos. Não me lembro o que ensinava e nem se ensinava alguma coisa, mas sei que me sentia muito poderosa e chamava atenção dos meus “alunos” o tempo todo. Aquela brincadeira se transformou em profissão quando entrei na faculdade de letras da UFMG e alguns anos depois me especializei em linguistica. Desde os 17 anos, dou aula de inglês, para alunos de verdade e não de brincadeirinha mais. Tive minha primeira escola de idiomas em 1991 e vendi a ultima em 2014. Empreendedora inquieta, abri e vendi 4 escolas.

Há pouco mais de 3 anos, depois de me especializar em gestão de empresa e de coaching, de uma jornada longa como empresaria, realizei um sonho que achava inalcançável: ser professora de uma escola de negócios. E não uma escola qualquer, mas uma das maiores escolas de negócios do Brasil, a Fundação Getulio Vargas. Minha grande recompensa é saber que posso fazer alguma diferença na vida das pessoas e mais de 30 anos depois, dedicados à ensinar, vejo meus alunos brilharem como executivos, passarem em seleções de mestrado, doutorado, concursos, seleções de trabalho, serem promovidos e crescendo como profissionais. Porem, muito mais do que ensinar, o meu crescimento como pessoa ou “mestre” se dá porque aprendo a cada dia, não só com os livros, mas com cada um dos meus pupilos e pupilas.

Em 2009, fundei a Associacao das Mulheres Empreendedoras de Betim e em 2014 assumi a presidência da Camara Estadual da Mulher Empreendedora da Federação das Associações Comerciais de Minas Gerais. Vi uma nova paixão nascer dentro de mim, o empreendedorismo como ferramenta de empoderamento feminino. A união das mulheres e o verdadeiro sentido de sororidade, da mulher fazendo pela mulher, o compartilhamento de conhecimento, de negócios, o tecer de uma rede de relacionamento me fez acreditar que o mundo pode ser melhor, mais fraterno, mais igual e muito mais justo quando nos unirmos e nos fortalecermos emocional, intelectual e economicamente.

Como coach, professora, palestrante, presidente e membro de associações encontrei mulheres empreendedoras com historias incríveis e, quase sempre surpreendentes. Aquela mulher empresária ou intra-empreendedora, a executiva e profissional de micro, pequenas, medias ou grande empresas bem sucedidas, todas elas, com desafios muito parecidos: conciliar a vida profissional, pessoal e familiar. Não deixamos de ser donas de casa, mães, amantes e nos tornamos também profissionais competentes, guerreiras, determinadas, comprometidas e focadas. Fomos ocupando espaços e carreiras que talvez nem nós mesmas poderíamos imaginar. Estamos em todos os segmentos: educação, beleza, saude, construção civil, logistica, transporte, engenharias, direito…

Nos associamos, nos unimos, nos juntamos, nos apoiamos e o numero de redes de mulheres cresce exponencialmente no Brasil e mundo a fora. Neste caminho, encontrei uma mulher pequenininha, com carrinha de menina, mas uma força que me deixou especialmente interessada em conhece-la mais de perto. Do facebook, entrei em contato e sai do modo online para ver de perto e offline o que é que aquela bahianinha tem. Fundadora da rede Mulheres que Decidem, hoje presente na Colombia, Portugal e nos Estados Unidos com mais de 36 mil mulheres conectadas e se ajudando através do compartilhamento de ideias e negócios sem fins lucrativos, Tabatha Moraes me encantou com sua generosidade e sua missão de vida.

Desejei muito me aproximar ainda mais daquele grupo e desde o primeiro dia nos mantivemos conectadas mesmo ela em Sao Paulo e eu em BH. Um dia sonhamos juntas fazer algo que mostrasse as mulheres de Minas e o que fazemos fora do eixo Rio – SP. Foi quando Tabatha teve a ideia de publicarmos um livro de historias de mulheres mineiras. Não tive a menor duvida. Se ela precisava de alguém para coordenar este projeto e dar às mulheres a oportunidade de inspirarem outras contando a sua trajetória, eu estaria à disposição para ajudar que este sonho se tornasse realidade. Não pensei duas vezes e numa rápida conversa por telefone, tudo que pude dizer para aquela forte, determinada e aguerrida mulher foi; “Xá Comigo”.

Este é apenas o primeiro capitulo de muitos que temos pela frente. Relatos que nos tocam, nos emocionam, nos fazem chorar e as vezes ate rir, mas que acima de tudo nos fazem ter a certeza de que nenhuma delas terceirizou ou permitiu que ninguém escrevesse a sua historia. Ser autora é ter a legitima autoridade para fazer suas escolhas. É ter o papel e a caneta na mao, rascunhar quando necessário, apagar algumas linhas quando necessário, mas ir até o fim.

Xápralá coisa nenhuma. Xá Comigo porque cada uma destas historias ficará registrada em nossos corações.

Sou Grata Sim, Obrigada!

Sou Grata Sim, Obrigada!

Em recente vídeo publicado, o professor, escritor e neurocientista, sócio-diretor da NeuroVox e pesquisador do Laboratório de Neurociências Clínicas (LiNC) da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, Pedro Calabrez aborda o tema gratidão e inicia dizendo que a palavra gratidão tem sido usada de forma banalizada assim como a palavra amor entre outras.

Num primeiro momento, senti-me um tanto incomodada e sinto-me sempre que as pessoas se referem ao uso massificado de uma palavra como sendo banalizado. Particularmente, vejo sempre com bons olhos que palavras positivas sejam usadas mesmo que as pessoas não saibam bem qual o seu verdadeiro significado. Banalizar o uso da palavra amor, a meu ver, não tem problema algum. Ao contrário, banalizar o uso da palavra ódio, me parece bastante prejudicial à saúde de quem a usa. É muito comum ouvirmos as pessoas dizerem: eu amo salada ou eu amo meu filho assim como é comum ouvirmos as pessoas dizendo: eu odeio jiló ou eu odeio o Lula.

Me parece que a banalização da palavra “amor” acaba gerando o efeito positivo, mas o significado de amor é bastante amplo e diferente para cada relação, embora não me pareça problemático ou prejudicial. Já o uso da palavra ódio, cria um mecanismo de intolerância e repulsa que pode levar até a uma extrema agressividade.

Pois bem, felizmente o professor Pedro Calabrez continua sua palestra explicando melhor o que ele considera ser “banalização” da palavra Gratidão e, confesso, que senti um certo alivio já que sou sua grande admiradora. Como não poderia ser diferente, o professor endossa o trabalho de cientistas de neurociências e da psicologia como Glenn R. Fox*, Jonas Kaplan, Hanna Damasio, Antonio Damasio, Prathik Kini, Joel Wong, Sydney McInnis, Nicole Gabana, Joshua W. Brown entre outros, sobre a relação entre gratidão, bem-estar e saúde mental.

O que o professor considera ser banalização é o fato de as pessoas serem gratas somente de forma passiva, ou seja, tendem a serem gratas diante de episódios felizes ou agradáveis como um dia de sol, um aumento de salário, etc. Por outro lado, a gratidão ativa está ligada a um certa “programação” da mente que é ativada com a pratica de exercícios diários de gratidão, gerando resultados altamente positivos no que diz respeito à felicidade e bem-estar.

No seu trabalho de pesquisa em Harvard, que tornou o professor Shawn Anchor popular e palestrante famoso sobre o tema gratidão mundo afora sendo entrevistado por celebridades como Oprah Winfrey, ele afirma a importância de exercício diário de gratidão e os efeitos positivos sobre os níveis de felicidade e bem-estar que resultaram no aumento de produtividade de colaboradores de várias empresas com as quais trabalhou. Anchor sugere que a gratidão seja registrada diariamente, o que ele chama de “journaling”, e complementa que atos de gentileza diários como dizer um bom dia com alegria, enviar uma mensagem de carinho ou dar uma flor para alguém também tornam os dias muito melhores e produtivos.

Pessoalmente, aceitei em 2014 o desafio de gratidão proposto por Flavia Melissa de publicar no Instagram 300 dias de gratidão. O ano de 2014 foi, sem dúvida, o mais difícil de minha vida. Vivi um divórcio e os últimos 6 meses mais difíceis da luta de meu pai contra um câncer de garganta que o levou a óbito em 22 de dezembro daquele ano. Por já estar fazendo o exercício da gratidão diariamente e ter me comprometido a postar, cheguei a escrever minha gratidão durante algumas madrugadas com a sensação de que seria impossível agradecer o que quer que fosse. No dia da morte de meu pai, me desafiei a não sofrer ou me revoltar, ao contrário, à medida que pensava no exercício e no que escreveria, fiz uma viagem no tempo me recordando de todos os bons momentos que tinha vivido com aquele homem por quase 50 anos. Senti uma gratidão genuína e um privilégio inigualável por ter sido presenteada e escolhida para ser sua filha e sua filha primogênita, nascida exatamente um dia depois de seu aniversário. Me vieram lembranças de dias e momentos muito felizes e também de alguns momentos conturbados nos quais ele com toda a sua rigidez de pai me fez amadurecer e aprender sobre a vida.

Foi também no ano de 2014, exatamente uma semana antes da morte de meu pai, que concluí o curso de formação de Coaching com uma turma VIP de apenas 7 mulheres e a última do ano. De la para cá me reinventei profissionalmente e tive novas portas se abrindo. O testemunho que posso dar é o de que, mesmo que você não acredite no poder da gratidão e nos efeitos que ela pode causar no seu bem-estar, vale a pena exercitá-la todos os dias. Minha sugestão: troque suas reclamações e negatividade por gratidão e descubra qual a intenção positiva de cada evento na sua vida.

Sou grata sim, obrigada!