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A ideia deste artigo veio de uma longa conversa (muito cabeça, diga-se de passagem) com uma amiga, psicóloga e grande parceira, que desenvolve um trabalho do feminino há mais de 20 anos, quando ainda o assunto não estava tão em voga como hoje. Discutíamos sobre um curso que estamos construindo a quatro mãos e, num dado momento, veio a discussão sobre o significado da palavra Gestão para cada uma de nós. A ideia que mais gostamos foi a de que gestão deva ter a mesma origem etimológica da palavra gestação. E aí, nos deliciamos com todas as emoções, sentimentos e sentidos que essa palavra e momentos nos tocam. E, é claro, mais ainda por ser uma palavra tão ligada ao feminino e à mulher.

Uma vez que você se descobre gestora ou grávida, uma série de transformações acontece, primeiramente internas e depois externas. Mudanças de hábitos e uma nova percepção do mundo inevitavelmente fazem com que passemos a nos preocupar não só com o nosso próprio bem-estar, conforto, segurança, mas também do outro. Os cuidados diários que garantam que aquele feto se torne um bebê saudável são vitais. A gestação exige que a mãe cuide de si, mas sempre focada no bem que está fazendo ao bebê. E chegará o dia em que o bebê terá que sair, cortar o cordão umbilical e romper os limites porque so poderá crescer se tiver a ousadia do parto.

E você, como tem feito a gestão da sua vida? Tem tomado os devidos cuidados para que seus projetos nasçam com saúde e possam romper os limites para crescerem? Você é também gestor da vida de outras pessoas, dos seus filhos ou colaboradores? Tem dado a eles as condições, “vacinas”, “medicamentos” necessários para que cresçam e se tornem também gestores de suas vidas?

 

Assim como numa gestação, é necessário que o/a gestor(a) siga alguns procedimentos:

  1. Faça um “pré-natal” com um especialista. Tenha sempre alguém que lhe acompanhe e lhe ajude, um coach, um mentor. Alguém que tenha a capacidade de lhe fazer enxergar e perceber como está a saúde do seu negócio e lhe sugerir cuidados ou intervenções quando necessários;
  2. Cuide da sua alimentação. Selecione bem os produtos que está consumindo. Selecione bem as pessoas com as quais esteja se relacionando. Observe a qualidade e a quantidade. Está ingerindo algo que lhe fortaleça, que lhe nutra? Alimente bem o seu corpo, sua mente, sua alma, seu intelecto. Participe de congressos, cursos, palestras; amplie sua rede de relacionamento; previna-se das pessoas invejosas, fofoqueira, gananciosas; beba da água de fonte boa;
  3. Monitore o seu tempo. Avalie o seu crescimento e seus resultados mês a mês com foco na meta que estabeleceu desde o início. A gestante sabe que um bebê saudável deve nascer entre 38 e 40 semanas;
  4. Não engorde demais e não permita que fique inchado(a) demais. Todo excesso é perigoso. Pode ser excesso de pessoal, de custos, de processos, etc. Por isso, controle o “colesterol”, a “pressão”, a diabetes. Corte toda gordura má e açúcares;
  5. Tenha momentos de relaxamento, de meditação, de calma. Aprenda a respirar. Vai lhe ajudar na hora que sentir as primeiras “contrações”;
  6. E por fim, saiba a hora de cortar o “cordão umbilical”. Seja sabendo a hora de partir, de passar o bastão para um sucessor, de mudar, de aposentar, seja a hora de ver o seu “rebento” seguir seu caminho necessário para o seu crescimento.

O/A bom/boa gestor(a) é aquele que tem a mesma capacidade de uma mãe que empresta seu corpo para que seja o lugar seguro, aquecido, nutritivo com todas as condições de gerar um ser saudável e perfeito, mas que sabe que haverá o momento em que este ser romperá outros limites e partirá. Sobreviverá melhor aquela mãe que mesmo dedicando todo o amor àquele feto, àquele bebê e àquela criança jamais se descuidará dela própria e se manterá sempre saudável e feliz porque soube fazer a gestão da vida do(a) filho(a), mas soube também fazer muito bem a gestão da própria vida.

“Diz a lenda, que um jovem rapaz muito sedento de encontrar a resposta mais importante de sua vida percorreu os quatro cantos do mundo tentando desvendar o verdadeiro significado da felicidade. Ja cansado e sem chegar a uma resposta, conseguiu uma audiência com um velho sábio que mora num belíssimo castelo de um lugar que mais parecia o paraíso. Ao perguntar-lhe ansioso por uma resposta, o rapaz ouviu do velho um pedido: que fosse visitar todos o castelo e voltasse em duas horas. Porem, deu-lhe uma colher com duas gotas de óleo e lhe pediu que voltasse com as duas gotas na colher. Assim fez o rapaz e ao reencontrar o sábio não conseguiu lhe responder uma só pergunta quando o sábio lhe perguntou sobre os belíssimos tapetes persas, o frondoso jardim, o canto dos pássaros, a transparência dos riachos, o colorido das telas. Nada havia visto ou observado, mas as duas gotas de óleo permaneciam na colher. O sábio, então, lhe pediu que refizesse o passeio e voltasse em duas horas. Assim fez o rapaz e voltou maravilhado com tamanha beleza, alegria e paz. Porém, enrubesceu-se quando o sábio lhe perguntou sobre as duas gotas de óleo que não mais estavam na colher.” A felicidade está em termos a capacidade de nos maravilharmos com a grandiosidade da beleza, mas sem nos descuidarmos da essência. Autor desconhecido.